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HISTÓRICO

Nasci numa fazenda, município de Uberlândia, Minas Gerais, e lá tive meu primeiro contato com a arte nos primeiros anos de minha vida: dois, três e quatro anos, através de reproduções renascentistas e outras que vinham fechando pecas de tecidos: murim ave-maria e algodão cru das Casas Pernambucanas, que papai levava para o uso da família.

Eram faixas de papel com medalhões em cores, impressos na Bélgica (suponho) com reproduções de Rafael, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Millet e alguns holandeses. Millet era o meu preferido com seu belíssimo realismo rural.

Quando chegavam, eu corria e tentava tirar as estampas dizendo: ”quando crescer vou ser isto”, o que papai ou mamãe me corrigiam: “eu vou fazer isto”.

E o destino se cumpriu. Em 1952 fiz vestibular para a Escola Nacional de Belas Artes da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro. Lá fiz quatro anos e o último o fiz em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Até hoje, com 56 anos de arte, continuo essa estrada maravilhosa, repleta de pedras... Mas, continuo feliz. Expresso minha arte usando o acrílico, a encaústica, a aquarela e a tapeçaria.

A encáustica é a minha técnica preferida, e possuo pleno domínio da mesma.
A encáustica consiste em um complexo de ceras, resinas e pigmentos aplicados quentes sobre superficies rígidas (quase sempre).

Ao que se sabe, a encáustica é uma das mais antigas especies de pintura. O professor Eibener conseguiu determinar cientificamente traços de pintura com encáustica sobre objetos egípcios que datam 5.000 anos de nossa era. Assim, a origem da encáustica é egípcia, mas o seu desenvolvimento vem dos gregos, Polignoto grego usou a encáustica no 4º século a.c. e a divulgou toda Grécia. Depois foi aperfeiçoada por Praxíteles. É uma das técnicas mas resistentes: não apresenta craquele e é imune a fungos e mofo.

Da Grécia foi para Roma e de lá para o Egito, onde ocorreu novo florecimento do século I ao início do século IV da nossa era. Desta época são os retratos romanos egípicios pintados a encáusticas e a tempera sobre madeira, descobertos em 1.888 nos sarcófages do Fayoum. São quase todos da época dos Phtolomeus e a maioria pertence ao Louver, uns 500 poucos mais, espalhados por museus do mundo.

É digna de nota, a pintura de Astrálogo, sobre marmore (monocromia), encontrada nas escavações de Herculanum, réplica de Alexandre, ateniense, do século original grego a Apolodoro, hoje no museu de Nápolis; o Luvre possui uma cópia. Somente através dos textos de Heródoto e outros gregos e Plínio Latinio, é que se tem notícia sobre a pintura daquela época, mas tudo resumidissimo. As informações atuais são pesquisas feitas por historiadores de arte ou pesquisadores técnicos. Praticamente não temos literatura sobre a encáustica.

Do século IV em diante ela caiu em desuso. Somente com a ida de Napoleão Bonaparte ao Egito em fins do século XVIII, a encáustica é redescoberta vindo despertar interesse e pesquisa. Nos fins do século XIX começou a ser usada, tomando incremento no século XX.

 
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